Ao pensarmos as obras que poderiam estar expostas no FLUXUS 2011, duas questões fundamentais foram consideradas: afinal, como tratar o cinema no contexto contemporâneo, em que as imagens em movimento estão cada vez mais presentes em outros espaços além da sala de cinema? Como estabelecer relações e intersecções entre estas obras e a percepção do público?
O cinema de exposição demanda uma atenção específica por parte deste espectador-visitante, ao confluir os elementos audiovisuais dispostos na projeção, orientados pela composição espacial do ambiente e pela articulação que está proposta nos segmentos do filme. A exibição, podendo ocorrer em mais de uma tela, simultaneamente, define aspectos determinantes para a estrutura narrativa e a maneira como ela é assimilada e interpretada pelo espectador.
Neste contexto, o cinema se revigora. Ao ser projetado em salas e ambientes pelos quais o espectador circula livremente, o filme adquire uma escala ampliada, é combinado com outras imagens, é passível de ser associado a outros elementos sonoros e cenográficos.
As obras de Teresa Hubbard e Alexander Birchler, Junebum Park, Anouk De Clercq, Dirceu Maués, Carlosmagno Rodrigues e Fred Paulino apresentadas nesta exposição, sugerem leituras poéticas distintas, a partir das possibilidades diversas de se trabalhar a imagem em movimento. Solicitam do espectador uma reflexão sobre a dimensão cultural do cinema em suas formas expandidas, propondo uma revisão de suas referências cinematográficas e um questionamento sobre as maneiras como as imagens estão presentes no cotidiano da vida contemporânea.
A exposição se completa com a exibição dos 34 filmes que formam a mostra competitiva do Fluxus 2011. São produções de curta duração, entre filmes de ficção, documentários, animações e vídeos experimentais, realizadas em 18 países. Todos os filmes podem ser vistos também no site do Fluxus 2011 - www.fluxusfestival.com - onde o público pode votar, comentar e compartilhar os seus filmes favoritos.
Interconectados num único espaço cenográfico, filmes e instalações exploram a linguagem do audiovisual em toda a sua complexidade. Ao propor que o espectador circule por entre imagens de origens estéticas, conceituais e formais por vezes tão divergentes, e exibidas de forma tão diversa, o Fluxus quer instigá-lo a buscar outras significações, ver um outro cinema.
Francesca Azzi e Roberto Moreira dos S. Cruz
Curadoria (Exposição)
Daniella Azzi, Eduardo Cerqueira e Francesca Azzi
Curadoria (Mostra Competitiva)


